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Um vôo pela Baixada Santista

O Eco preparou uma viagem pelos estuários da Baixada, por meio de imagens de satélite e fotos que indicam pontos do Zoneamento Ecológico Econômico da região criticados por ambientalistas

Cristiane Prizibisczki · Gustavo Faleiros ·
23 de junho de 2009 · 17 anos atrás

A Baixada Santista, no litoral norte paulista, vive um momento crucial para manutenção de seus recursos naturais. Há vários meses, uma série de projetos de aumento da infra-estrutura portuária, expansão residencial e outros ligados à exploração de petróleo do Pré-Sal tem sido a pauta das discussões do setor produtivo e de ambientalistas. Apesar da idéia dos empreendimentos existir no papel há vários anos, os debates começaram a esquentar em 2007, quando os processos de licenciamento começaram. Difícil quantificar qual terá maior impacto ao já desfigurado meio ambiente da baixada.

Um dos grandes projetos que estão sendo estudados há anos é o de aprofundamento do canal do porto, que permitirá a Santos operar modernos navios de grande capacidade, que necessitam de pelo menos 14 metros de profundidade, e tornar o trânsito de embarcações de mão dupla. Atrelado a ele, há estudos de expansão das estruturas portuárias, incluindo o controverso Projeto Barnabé-Bagres, que prevê a construção de um conjunto de terminais no Largo de Santa Rita, berço de espécies marinhas e local de alimentação de aves ameaçadas, como o guará-vermelho, o socó-caranguejeiro e o gavião-asa-de-telha, além de migratórias como a águia-pescadora e diversos maçaricos e batuíras.

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Além desses projetos, há planos de empreendimentos associados à infra-estrutura de exploração de petróleo do Pré-Sal, em uma área vizinha ao Largo de Santa Rita, onde o nível do mar não ultrapassa poucos metros.

Todos estes empreendimentos estão sendo contemplados, de forma direta ou não, pelo Zoneamento Econômico Ecológico (ZEE) da Baixada Santista, que há dez anos está sendo formulado, mas ainda não encontrou sua forma final. A minuta atual do documento é criticada por entidades ambientalistas da região, que o acusam de beneficiar o setor produtivo, liberando para exploração áreas importantes para a manutenção da biodiversidade do litoral norte paulista.

Após várias discussões sobre proposta final do documento, o zoneamento ficou “mais verde”, mas ainda contém pontos críticos para a natureza local, especialmente no estuário de Santos e Cubatão.

Há alguns dias, a reportagem de O Eco percorreu pontos do estuário considerados sob ameaça por ambientalistas. O resultado dessa viagem pode ser conferido na animação abaixo.

Com áudio

Saiba mais Fome de progresso no Porto de Santos
As cicatrizes no verde da Serra do Mar
O zoneamento da Baixada Santista

  • Cristiane Prizibisczki

    Jornalista com quase 20 anos de experiência na cobertura de temas como conservação, biodiversidade, política ambiental e mudanças climáticas. Já escreveu para UOL, Editora Abril, Editora Globo e Ecosystem Marketplace e desde 2006 colabora com ((o))eco. Adora ser a voz dos bichos e das plantas. →

  • Gustavo Faleiros

    Editor da Rainforest Investigations Network (RIN). Co-fundador do InfoAmazonia e entusiasta do geojornalismo. Baterista dos Eventos Extremos →

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