Notícias

ONGs criticam supressão de mangue em Suape

Terceiro estaleiro para embarcações de grande porte teve EIA/Rima apresentado a sociedade organizada. Cerca de 27 hectares serão desmatados.

Celso Calheiros ·
2 de junho de 2011 · 15 anos atrás
Recife – Um novo estaleiro aguarda licença de instalação para começar as obras em Suape, Pernambuco. É o terceiro estaleiro para embarcações de grande porte a ter seu EIA/Rima apresentado a sociedade organizada que, ao comparecer à audiência, deixou claro sua frustração com a supressão de mais área de mangue (serão 27,9 hectares na Ilha de Tatuoca) e seu ceticismo com relação às ações da agência de meio ambiente do Estado (CPRH). “Quero fazer um desabafo, porque não tenho esperança com essa audiência. O empreendedor e a CPRH só querem cumprir uma formalidade. Isso não é espaço para discussão”, falou o presidente do movimento Salve Maracaípe, Marcos Pereira.

Marcos Pereira lembrou na reunião que todos os novos empreendimentos em Suape estão em análise da Justiça, desde maio de 2010, uma vez que tanto o Ministério Público Federal quanto o Ministério Público Estadual questionaram as novas supressões de vegetação autorizadas pela Assembleia Legislativa, com base no EIA/Rima feitos para Suape em 2000. “Nessa época, não estavam previstos empreendimentos como os estaleiros e a refinaria de petróleo”, argumentou.

Um momento na apresentação do EIA/Rima foi considerado sem sentido pelo pescador Edson Cruz, conhecido como Edson Fly na militância pelo meio ambiente. Os pescadores foram questionados se tinham outra atividade, além da pesca, para complementação da renda. “Eles deveriam considerar nossa atividade como sustentável, e não complementar”, argumentou.

O EIA/Rima do estaleiro Construcap prevê a supressão de 27,9 ha de mangue e outros sete impactos ambientais na implantação e mais oito na operação. Está previsto a possibilidade de alteração na água e no ar, além da destruição de sítios arqueológicos na região.

O EIA/Rima prevê compensações ambientais com o plantio de 55,8 ha de vegetação em local a ser definido e aplicação de 0,5% do investimento feito no empreendimento em unidades de conservação. A CPRH definirá o destino dos recursos. O Estaleiro Construcap tem valor estimado em U$ 450 milhões (aproximadamente R$ 721,3 milhões) e 0,5% desse montante é US 2,25 milhões (cerca de R$ 3,6 milhões).

De posse da licença de instalação, os sócios do estaleiro COnstrucap Engenharia, McDermott International e Orteng terão 18 meses para a construção do estaleiro, que deve ocupar 40 ha ao lado do Estaleiro Atlântico Sul, que já está em funcionamento. O estaleiro vai fazer módulos para plataformas de petróleo. A empresa considera as necessidades de duas grandes empresas de petróleo para atender no mercado nacional (a Petrobras e a OGX) e possui interesse de empresas europeias, como a norueguesa Statoil.

Saiba mais

EIA/Rima do Estaleiro Construcap

{iarelatednews articleid=”23906, 24457″}

Leia também

Notícias
16 de janeiro de 2026

Estudo alerta para riscos sanitários da BR-319 e da mineração de potássio no Amazonas

Pesquisadores apontam que obras de infraestrutura e mineração podem mobilizar microrganismos com potencial patogênico, ampliando riscos ambientais e de saúde pública na Amazônia Central

Notícias
16 de janeiro de 2026

Fórum do Mar Patagônico cobra protagonismo regional na implementação do tratado do alto-mar

Coalizão de ONGs do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile destaca a entrada em vigor do acordo e defende liderança regional para proteger áreas-chave do alto-mar e a biodiversidade marinha

Análises
16 de janeiro de 2026

Bom senso e planejamento não são opcionais no montanhismo

O caso recente do rapaz que se perdeu no Pico do Paraná ilustra uma era onde “chegar ao topo” atropela o respeito pelo caminho – e pela montanha

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.