Notícias

Vazamento da Chevron no Rio pode ser dez vezes maior do que o declarado

Análise de fotos de satélite feita por site especializado indica que vazamento pode ser de até 3.738 barris/dia e ocupar área de 2.379 km2.

Celso Calheiros ·
16 de novembro de 2011 · 15 anos atrás

A Chevron declarou que o vazamento no campo Frade, na bacia de Campos, divulgado na última quinta-feira (10/11), está na faixa de 330 barris por dia e se espalhou por uma área de 163 km quadrados. Esses dados são contestados por John Amos, diretor do site SkyTruth, especializado na interpretação de fotos de satélite para fins ambientais. A partir de uma imagem da NASA, ele concluiu que a mancha toma uma área de 2.379 km quadrados (14,5 vezes o declarado pela Chevron) e que o total derramado pode chegar a 3.738 barris por dia, cerca de dez vezes mais do que o declarado pela Chevron.

 
A expectativa de que o vazamento pode ser pior do que havia sido divulgado no início fez as ações da empresa — que usa a marca Texaco nos EUA — caírem 3% na bolsa de Nova York.

Imagem de satélite do sensor MODIS da NASA utilizada pelo Skythuth com destaque para a mancha de óleo na bacia de campos
Imagem de satélite do sensor MODIS da NASA utilizada pelo Skythuth com destaque para a mancha de óleo na bacia de campos
 
Segundo a Chevron, a causa do acidente é uma falha na superfície do fundo do mar, localizada próxima ao Campo Frade. O vazamento fica a 370 quilômetros a Nordeste da costa do Rio de Janeiro, em lâmina d’água de cerca de 1.200 metros”, a 120 quilômetros de Campos. 
 
O Greenpeace lembra que a plataforma SEDOC 706 que perfura três poços da Chevron é da mesma empresa que estava a serviço da BP no Golfo do México, no pior vazamento de petróleo da história da exploração em alto mar. Leandra Gonçalves, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace, questiona:“A causa ainda é desconhecida. A Chevron declara que o vazamento é resultado de uma falha natural na superfície do fundo do mar, e não no poço de produção no campo de Frade. Mas essa falha natural não aparecia no Estudo de Impacto Ambiental (EIA). O que aconteceu em Frade para a ‘falha natural’ começar a jorrar petróleo? Onde está o EIA de Frade, para que a população possa acessá-lo?”
 
As informações contraditórias também levaram o delegado de Meio Ambiente da Polícia Federal do Rio, Fábio Sciliar, a abrir um inquérito para apurar as responsabilidades sobre o vazamento. O delegado vê desencontros nos dados obtidos em conversas com profissionais das plataformas de petróleo com os dados oficiais divulgados pela Chevron. Ele quer apurar, também, a extensão da fenda por onde o óleo vaza, estimada em 280 a 300 metros.
 
A Agência Nacional de Petróleo disse que, desde às 12h30 de hoje, 16 de novembro, foi colocado um tampão de cimento cuja secagem é estimada em 20 horas. “Imagens do ROV (veículo de operação remota), cedidas pela Chevron, indicam redução do vazamento em relação ao dia 11/11, quando era estimado pela concessionária em 220 a 330 barris por dia”. 
 
Embora a Petrobrás seja dona de 30% da produção, a ANP atribui a responsabilidade pelo poço e pela contenção do vazamento à Chevron. Dezoito navios estão participando dos trabalhos de contenção do vazamento, oito da própria Chevron e dez cedidos pelas empresas Petrobras, Statoil, BP, Repsol e Shell, que também operam na Bacia de Campos.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Externo
2 de outubro de 2026

Só 1% do orçamento foi destinado ao clima por candidatos a governador que buscam permanecer no poder na Amazônia 

Em cinco estados da Amazônia Legal, candidatos à reeleição e políticos que assumiram o governo durante o atual mandato disputam a permanência no cargo. Apesar de todos citarem a agenda climática em seus planos de governo para 2026, juntos, os cinco governos empenharam apenas 1,3% do orçamento em despesas relacionadas ao tema desde 2023: R$ 6,4 bilhões, contra R$ 475 bilhões em gastos não relacionados ao clima →

Análises
2 de outubro de 2026

Futuros governadores têm desafio de recuperar o Cerrado, berço das águas 

As candidaturas ao governo dos estados receberam uma lista de propostas concretas para recuperar as bacias hidrográficas do bioma que abastece oito das doze grandes bacias do país →

Análises
2 de outubro de 2026

Muito do futuro da conservação da natureza se decide no Congresso

Desmonte socioambiental e passivo institucional são apenas algumas das decisões que podem ser barradas ou avançadas no Legislativo →

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.