Notícias

Energia solar é mais barata do que se pensa

Pesquisadores da Queens’s University, no Canadá, acreditam que o custo da energia fotovoltaica está próximo do limiar competitivo.

Eduardo Pegurier ·
14 de dezembro de 2011 · 15 anos atrás
Projeto da sede da Apple: localizada em Cupertino, Califórnia, tem formato de disco voador e telhado recoberto de painéis solares. Foto: Divulgação
Projeto da sede da Apple: localizada em Cupertino, Califórnia, tem formato de disco voador e telhado recoberto de painéis solares. Foto: Divulgação
Pesquisadores da Queens’s University, no Canadá, acreditam que o custo da energia produzida por células fotovoltaicas tem sido exagerado. Segundo eles, a tecnologia está prestes a ultrapassar o limiar em que poderá ser amplamente adotada, pois terá preço semelhante a fontes comuns, como termoelétricas.

Joshua Pearce, professor adjunto do Departamento de Engenharia Mecânica e de Materiais, aponta que os cálculos para energia solar não tem levado em consideração a redução de custo dos painéis fotovoltaicos de 70% desde 2009. Outro fator que tem sido exagerado é a perda de eficiência das células fotovoltaicas ao longo do tempo. Enquanto a maioria dos estudos considera que essa decadência é de 1% ao ano, na verdade os painéis perdem apenas entre 0,1 e 0,2%. Pearce defende, junto com mais dois autores, seus números em artigo sobre o assunto que pode ser baixado aqui. O grupo também criou uma calculadora — bastante técnica — para fazer esse cálculo. Ela pode ser baixada em formato Excel aqui (repare o link no lado direito da página de web).

Talvez seja isso que está levando empresas de vanguarda a construírem sedes com enormes áreas cobertas por painéis solares. A Apple é uma delas. Pouco antes de falecer, Steve Jobs anunciou a nova sede da empresa, em Cupertino, Califórnia, que tem forma de disco voador. Toda a cobertura da estrutura, cerca de 46 mil metros quadrados, será recoberta de painéis solares capazes de produzir 5 MW. A nova instalação da Apple terá uma capacidade de produção de energia 3 vezes maior do que a da sede da Google e será a a maior nos EUA até que um novo prédio da ToysRus fique pronto e produza, de acordo com os planos, 5,4 MW.

O futuro telhado solar da nova sede da Apple – desde que o sol esteja brilhando — poderá suprir o consumo de algo como 7 mil residências típicas californianas. Mesmo assim, não será suficiente para cobrir todo o consumo da empresa. Para complementar o total necessário e ser o mais verde possível, a Apple terá sua própria usina de energia baseada em gás natural. A rede pública de energia só será usada como alternativa em momentos de necessidade ou por conta de uma pane.


  • Eduardo Pegurier

    Mestre em Economia, é professor da PUC-Rio e conselheiro de ((o))eco. Faz fé que podemos ser prósperos, justos e proteger a biodiversidade.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
4 de agosto de 2026

Tribunal nega recurso para liberar obras da tirolesa no Pão de Açúcar

Decisão do TRF2 preserva efeitos da sentença que anulou licenças ambientais do projeto da tirolesa entre os morros da Urca e do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro

Colunas
4 de agosto de 2026

Sobre o preço do tomate e o que acontece lá fora, na Antártica

O continente mais frio da Terra está muito mais próximo do nosso cotidiano do que imaginamos. Do preço do tomate às mudanças climáticas, entender a Antártica é compreender como funciona a nossa existência

Externo
3 de agosto de 2026

Unidades de conservação estocam 33 anos de emissões nacionais

Levantamento mostra que áreas protegidas concentram 19,4 gigatoneladas de carbono; “Congresso pode se tornar maior fonte de emissões”, diz especialista

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.