Deu no Jornal Nacional: a principal nascente do Rio São Francisco está seca. Localizada no Parque Nacional da Serra da Canastra, a falta de água por lá pode não afetar o resto do rio, já que muitos outros tributários ajudam a mantê-lo, mas é simbólica quando se trata do futuro do Velho Chico. Peixes, flores e aves, o Rio São Francisco de hoje em dia é muito distante do que foi no passado.
“Era surubim, dourado, curimatá. Eram peixes grandes, peixe de 10 kg, até de 20 kg a gente já pegou. Hoje em dia isso não tem mais”, conta Florisvaldo, morador de Manga, MG, em reportagem publicada em ((o))eco em 2013.
Já o pesquisador José Alves de Siqueira Filho, organizador do livro Flora das Caatingas do Rio São Francisco – História natural e conservação, compara a abertura dos canais que levarão as águas do Velho Chico para os rios da Paraíba e do Ceará com feridas no ecossistema feitas por tratores e escavadeiras. “Com olhos de biólogo da conservação, posso afirmar que, muito do que vi, foi chocante”, diz Siqueira em outra reportagem de ((o))eco, esta de 2012. O corte exposto dos canais abre espaço para organismos oportunistas. A invasão biológica é a segunda maior ameaça à biodiversidade, perdendo só para a destruição de habitats provocada pelo homem.
Marcos Sá Corrêa já alertava em 2008 para um relatório sobre a mortandade de aves no Rio São Francisco. Mais de 250 aves mortas na borda da represa de Sobradinho. Irerês, garças, pombas, jaçanãs, paturis, biguás, quero-queros, dezesseis espécies diferentes, prováveis vítimas de pelo menos seis tipos de venenos agrícolas, como Folidol, Folisuper ou Karate, apontados no relatório como suspeitos.
Com 2.863 km, o São Francisco é um dos mais importantes rios do Brasil e da América do Sul. Selecionamos abaixo algumas imagens de satélite do rio, desde sua nascente na Serra da Canastra até sua foz em Piaçabuçu, AL. Metade das fotos retratam o dedo do homem e de suas barragens. Veja também algumas fotos panorâmicas das belezas do rio. Que elas não se transformem um dia nas últimas lembranças do Velho Xico.
Um panorama do Parque Nacional da Serra da Canastra.
A Cachoeira Casca d’Anta é a maior queda do rio São Francisco
O rio São Francisco ainda no interior do Parque Nacional da Serra da Canastra
A Cachoeira Casca D’Anta tem 186 metros de queda d’água.
As margens do Velho Chico em Abaeté, MG.
Canindé de São Francisco, Sergipe, Brazil
Leia também
Rio São Francisco: os peixes se foram
Uma nova visão das Caatingas do São Francisco
O São Francisco manda recado
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Só 1% do orçamento foi destinado ao clima por candidatos a governador que buscam permanecer no poder na Amazônia
Em cinco estados da Amazônia Legal, candidatos à reeleição e políticos que assumiram o governo durante o atual mandato disputam a permanência no cargo. Apesar de todos citarem a agenda climática em seus planos de governo para 2026, juntos, os cinco governos empenharam apenas 1,3% do orçamento em despesas relacionadas ao tema desde 2023: R$ 6,4 bilhões, contra R$ 475 bilhões em gastos não relacionados ao clima →
Futuros governadores têm desafio de recuperar o Cerrado, berço das águas
As candidaturas ao governo dos estados receberam uma lista de propostas concretas para recuperar as bacias hidrográficas do bioma que abastece oito das doze grandes bacias do país →
Muito do futuro da conservação da natureza se decide no Congresso
Desmonte socioambiental e passivo institucional são apenas algumas das decisões que podem ser barradas ou avançadas no Legislativo →






