Reportagens

O protocolo de Kyoto fez diferença nas emissões de carbono?

A primeira fase de Kyoto, o único tratado internacional que obriga ao corte de emissões, falhou em reduzir as emissões globais de carbono.

The Guardian Environment Network ·
26 de novembro de 2012 · 13 anos atrás
The Guardian Environment Network
Artigos da rede que reúne os melhores sites ambientais do mundo, selecionados pelo diário inglês The Guardian.

por Duncan Clark*

Sob o Protocolo de Kyoto – assinado em dezembro de 1997 –, a maioria dos países desenvolvidos, exceção aos EUA, comprometeram-se com metas de redução das suas emissões dos principais gases de efeito estufa. As metas variaram entre as nações. Algumas foram autorizadas a aumentar as suas emissões em uma determinada quantidade, outros foram obrigados a fazer cortes significativos. O objetivo era atingir um corte médio de cerca de 5% em relação aos níveis de 1990 com prazo para ser atingido até 2012 (ou mais precisamente 2008-2012).

Para dar uma noção de qual foi o desempenho dos países em relação às suas metas, o gráfico abaixo mostra a lacuna entre a meta expressa em percentual de cada nação e sua variação percentual de fato entre 1990 e 2010. Por exemplo, se uma nação tinha um alvo de -10% mas suas emissões aumentaram 10%, ela marca -20, se tivesse uma meta de corte de 5%, mas cortou 15% ela marca 10.

Na produção do gráfico, incluiu-se todas as emissões, inclusive as relacionadas ao uso da terra e a capacidade das florestas de sequestrarem carbono (as barras azuis que ficam à esquerda da linha base mostram países que ficaram aquém das suas metas. Passando o mouse por cima de cada barra, o número aparece).



De forma geral, há mais sucessos do que fracassos e a soma das emissões de países com metas de Kyoto caíram significativamente. Nesse meio tempo, no entanto, as emissões no resto do mundo aumentaram drasticamente – especialmente na China e em outras economias emergentes, como o gráfico a seguir deixa claro.

Isso denigre o sucesso das nações com metas de Quioto, porque grande parte do crescimento na China e outras economias emergentes tem sido impulsionado pela produção de bens e serviços exportados para países desenvolvidos. De acordo com um estudo que eu divulguei no ano passado, quando você olha para a pegada de carbono total de cada nação (incluindo importações e excluindo exportações), os progressos alcançados pelo Protocolo de Kyoto são extremamente pobres, com as reduções de apenas 1% obtidas pela Europa entre 1990 a 2008, e com um aumento de 7% se considerados todos os países desenvolvidos.



Ao fim, o resultado é que as emissões globais não mostraram nenhum sinal de desaceleração, como o gráfico abaixo mostra. Nesse sentido, o protocolo de Kyoto foi um fracasso. Entretanto, sem dúvida, foi um primeiro passo importante na diplomacia do clima global. A questão é se um segundo passo mais ambicioso chegará a tempo de evitar riscos inaceitáveis de mudanças climáticas devastadoras.

*Esse texto é uma adaptação do original publicado no Guardian através da parceria de ((o))eco com a Guardian Environment Network.



Leia também
WWF sobre Quioto: ou há compromisso ou desastre
Brasil vai à COP 17 defender continuação de Quioto
Cúpula do clima chega ao fim com resultados pouco ambiciosos

 

Leia também

Notícias
20 de fevereiro de 2026

Três anos após tragédia, 203 hectares de encostas em São Sebastião seguem em recuperação

Deslizamentos ocorridos em fevereiro de 2023 deixaram 853 cicatrizes de desmatamento na cidade. Cerca de 70% da área já está recoberta de vegetação

Colunas
20 de fevereiro de 2026

Disputas e contradições continuam após a COP30

Plano Clima indica desafios de implementação; evitar mudanças profundas continua sendo uma linha de ação que envolve greenwashing, lobby e circulação de desinformação

Externo
20 de fevereiro de 2026

Como transformar a meta 30×30 de um slogan político para uma realidade ecológica

O recém-aprovado Tratado do Alto-Mar oferece uma oportunidade de proteger o oceano como nunca antes

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Comentários 1

  1. Olfato Comunicação diz: