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Desmatamento na Amazônia até agosto é 48% maior que mesmo período em 2020

Acumulado do ano chegou a 7.715 km², a maior cifra da década. Somente em agosto foram desmatados 1.606 km², área equivalente a cinco vezes Belo Horizonte

Cristiane Prizibisczki ·
20 de setembro de 2021

Entre janeiro e agosto de 2021, o desmatamento na Amazônia alcançou 7.715 km², o que equivale a cinco vezes o tamanho da cidade de São Paulo e representa aumento de 48% em relação ao mesmo período de 2020.

Este é o pior índice da década, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (20) pelo o Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Quando levado em conta somente o mês de agosto, o desmatamento chegou a 1.606 km², uma área equivalente a cinco vezes do tamanho de Belo Horizonte (MG).

Agosto é o quinto mês do ano que registra os piores índices desde 2012. Março, abril, maio e julho também tiveram a maior área de floresta destruída dos últimos 10 anos, o que indica que as medidas que estão sendo tomadas pelo governo para conter o desmatamento não estão sendo efetivas.

“Se quisermos evitar que o ano feche com a maior área desmatada da década, precisamos urgentemente adotar ações mais efetivas, como aumentar o embargo de terras já desmatadas ilegalmente e intensificar operações de fiscalização, com a devida punição dos desmatadores”, alerta Antônio Fonseca, pesquisador do Imazon.

Lista de estados desmatadores

Desde maio, o Pará segue consecutivamente no topo do ranking dos estados que mais desmataram a Amazônia. Foram 638 km² derrubados apenas em agosto. A área, equivalente à cidade de Florianópolis (SC), representa 40% de toda devastação na Amazônia Legal no período.

Além disso, em agosto, 6 das 10 unidades de conservação que mais sofreram desmatamento estavam neste estado, além da metade dos municípios, terras indígenas e assentamentos.

Apenas os cinco municípios paraenses que figuram na lista dos 10 que mais desmataram – Altamira, São Felix do Xingu, Pacajá, Itaituba e Portel – concentraram 40% do total de desmatamento detectado no estado.

“Todos estão na lista do Ministério do Meio Ambiente (MMA) que indica os municípios prioritários para prevenção, monitoramento e controle do desmatamento. E eles ainda apresentam grandes blocos de áreas protegidas em seus territórios, o que torna esse desmatamento ainda mais perigoso e agravante”, comenta Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.

Desmatamento avança pela porção sul da floresta

Na lista dos estados, o Amazonas segue como segundo no ranking de desmatadores. Este o quarto mês consecutivo que o estado aparece na posição.

Quando analisado ranking por municípios, no entanto, cidades amazonenses figuram no topo da lista: Lábrea e Boca do Acre aparecem na primeira e segunda colocações. Ambas somaram 185 km², uma área maior do que a cidade de Aracaju (SE), de destruição em agosto.

“O fato desses municípios do Amazonas estarem no topo do ranking dos que mais desmataram é reflexo da intensificação do avanço da fronteira do desmatamento no sul desse estado, algo que estamos alertando em nossos últimos monitoramentos”, acrescenta Amorim.

Em agosto, o estado do Acre entrou pela primeira vez no ano no terceiro lugar do ranking dos estados desmatadores, com 236 km² de florestas derrubadas. Esse desmatamento, segundo o SAD, se concentra em dois municípios: Sena Madureira e Feijó, que acumularam 40% da área desmatada no estado para o mês.

Duas das 10 unidades de conservação com maiores áreas destruídas também estavam no Acre: Resex Chico Mendes e Resex do Corumbá-Iracema.

“Quando analisamos o mapa de perda de floresta na Amazônia, notamos uma intensidade muito alta de ocorrências de alertas no Acre, especialmente na divisa com os estados do Amazonas e de Rondônia. Isso indica a possibilidade da região estar sendo alvo do avanço da fronteira do desmatamento, que está mais evidente no sul do Amazonas”, explica o pesquisador Antônio Fonseca.

Os especialistas apontam que é prioritário que o governo avance com os processos de destinação de terras públicas, com a criação de unidades de conservação, terras indígenas e territórios quilombolas, nas áreas ainda sem destinação fundiária. Outra medida seria barrar projetos de lei que flexibilizam regras para regularização, que retiram direitos dos povos indígenas e reduzem áreas protegidas.

  • Cristiane Prizibisczki

    Cristiane Prizibisczki é Alumni do Wolfson College – Universidade de Cambridge (Reino Unido), onde participou do Press Fellow...

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