O cientista americano James Hansen, conhecido como um dos pioneiros na pesquisa do aquecimento global tem repetido constantemente em seus artigos que o verdadeiro nó górdio para o meio ambiente não é interromper o uso do petróleo como tantas vezes se ouve por aí. Quando se fala em reduzir o consumo de combustíveis, frisou Hansen em uma carta pública enviada ao primeiro ministro da Inglaterra, o problema verdadeiro se chama carvão mineral. Toneladas do carburante que moveu a revolução industrial ainda são queimadas todos os dias gerando 41% das emissões globais de carbono – 11 bilhões T/CO2 por ano.
Nesta semana em que as negociações da Convenção da ONU entram em momento decisivo aqui em Poznan, na Polônia, as atenções estarão voltadas para União Européia. O bloco nos próximos dias vai debater o chamado Pacote de Energia e Mudanças Climáticas, que compreende uma série de medidas concretas em setores como transporte, habitação e indústria para que seja possível cumprir a meta de reduzir 20% das emissões de carbono em 2020.
O que acontecer em Bruxelas, sede da Comissão Européia, vai influenciar em grande parte o que ocorrerá em Poznan. A Europa lidera entre os países ricos as iniciativas de redução de emissões. É ela quem tem as metas mais ambiciosas e também quem mais defende cortes drásticos até 2050. Se Europa não fizer o seu dever de casa, será difícil que os Estados Unidos o façam, afirmam os especialistas.
Entretanto, a própria anfitriã da Conferência da ONU, a Polônia, é um dos países mais relutantes em aceitar medidas concretas. A dependência da energia gerada pelo carvão mineral está por trás de sua resistência; 93% do suprimento do país provém do combustível. “A Polônia é a China da Europa”, define uma ativista do Greenpeace ao lembrar das poluentes termoelétricas do país asiático.
No interior da Polônia
O Eco visitou no último dia 03 de dezembro, na cidade de Konin (140 quilômetros de Poznan), a área onde são extraídos há 60 anos 11 milhões de toneladas/ano de carvão para abastecer termoelétricas que fornecem pelo menos 5% da energia do país. Ali o Greenpeace montou acampamento de sua campanha mundial ‘Carvão Não!’.
Gustavo Faleiros está em Poznan a convite do Climate Change Media Partnership.
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